Trump perto de chegar a acordo com Putin sobre a Ucrânia e "toda a Europa"

Trump perto de chegar a acordo com Putin sobre a Ucrânia e "toda a Europa"

A guerra da Rússia contra a Ucrânia está perto de ser resolvida, segundo Donald Trump, que anunciou que está para breve um "grande acordo" que pode envolver "toda a Europa".

Inês Moreira Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Elizabeth Frantz - Reuters

Após uma reunião com o enviado especial do presidente russo, Kirill Dmitriev, na Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos afirmou que estaria mais próxima a possibilidade de terminar o conflito entre Rússia e Ucrânia.

"Acho que estaremos muito perto de resolver a questão Rússia-Ucrânia", disse Trump aos jornalistas no Sala Oval na quinta-feira, recusando-se a divulgar detalhes da conversa com Dmitriev.

Trump deixou claro que não se encontrou com as autoridades ucranianas que também se encontravam de visita ao local. Estiveram, aliás, representantes de ambos os países na Casa Branca para um evento em homenagem ao trabalho de Melania Trump na mediação de um cessar-fogo em Oleshky.

"Será um acordo, um grande acordo, e envolverá mais do que apenas a Ucrânia", frisou Trump, acrescentando que poderá incluir toda a Europa.

A conversa de Trump com Dmitriev ocorreu no mesmo dia em que o enviado e genro, Jared Kushner, se reuniu em Bruxelas com autoridades ucranianas, da NATO e europeias para discutir o que chamou de "garantias de segurança para a Ucrânia e uma arquitetura de segurança europeia mais ampla".

Entretanto, a primeira-dama dos Estados Unidos voltou a pedir um cessar-fogo duradouro na Ucrânia e sublinhou o papel dos presidentes russos e ucraniano na recente trégua humanitária em Oleshky, ocupada por Moscovo.

"Temos agora de mostrar a coragem que mostrámos em Oleshky para encontrar um terreno comum (...). Juntos, podemos construir algo mais duradouro do que apenas um cessar-fogo temporário", disse Melania Trump, numa conferência de imprensa após um encontro, na Casa Branca, com responsáveis ucranianos e russos envolvidos na trégua humanitária.

"A vida de pessoas inocentes deve transcender a divisão da guerra. Espero que Oleshky inspire uma paz maior", disse.

Melania Trump foi reconhecida por ambas as delegações na Casa Branca por ter desempenhado um papel fundamental, embora não especificado, no cessar-fogo, e todas as partes transmitiram a gratidão dos presidentes russo e ucraniano.

A primeira-dama dos EUA afirmou ter "revisto planos de desminagem, imagens aéreas, avaliado estradas e discutido rotas de evacuação, acesso a hospitais, veículos e recursos médicos" durante a trégua.


Segundo o negociador ucraniano, David Arakhamia, este cessar-fogo permitiu "criar uma dinâmica em que ambos os lados aprendem estes pequenos mecanismos que permitem, concretamente, preservar a paz".

"Em nome do Presidente Putin e do povo da Federação Russa, gostaríamos de agradecer à primeira-dama Melania Trump pelo seu papel excecional na situação humanitária em Oleshky"
, afirmou, por seu lado, o enviado russo Kirill Dmitriev.

A trégua, que durou seis dias e terminou na noite de domingo, permitiu a retirada de residentes desta cidade situada na linha da frente na região de Kherson, com acesso minado e sob fogo cruzado de drones russos e ucranianos, que a deixaram durante meses com graves carências.Continua a subir número de mortos em ataque russo
O número de mortos no ataque aéreo russo, que aconteceu na segunda-feira, contra um ponto de distribuição de ajuda humanitária no sul da Ucrânia subiu para 53, anunciaram as equipas de resgate esta sexta-feira, enquanto os corpos continuam a ser retirados dos escombros.

Segundo Kiev, várias bombas foram lançadas pelos militares russos contra um edifício numa aldeia a cerca de 15 quilómetros da linha da frente na segunda-feira, enquanto a ajuda alimentar estava a ser distribuída aos residentes.

"O número de mortos no ataque aéreo russo à cidade de Komyshuvakha, na região de Zaporizhzhia, a 2 de novembro, subiu para 53"
, afirmou o Serviço de Situações de Emergência.

"Apesar das condições difíceis e da constante ameaça de novos ataques russos, as operações de busca e salvamento continuam".

O anterior número oficial de mortos era de 40.

Numa publicação no aplicativo de mensagens Telegram, Mykhailo Semikin afirmou que os trabalhos de busca e resgate no local, na vila de Komyshuvakha, iam continuar a decorrer. A dimensão dos danos provocados está a dificultar os trabalhos de resgate. As autoridades locais informaram que apenas alguns dos corpos recuperados dos escombros até quarta-feira tinham sido identificados e que a identificação completa provavelmente exigirá testes de DNA.

A missão de observadores da ONU na Ucrânia acusou, na terça-feira, os militares russos de "saberem que estava a ocorrer uma distribuição de ajuda humanitária" ou de "não tomarem as precauções mais básicas para o garantir" antes de atacarem o edifício.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, classificou o ataque como "horrível", mesmo com o retomar das negociações com Moscovo previsto para novembro.

C/agências
PUB